domingo, 29 de novembro de 2009

Os sentidos do amor

Acabo de assistir "O amor nos tempos do cólera". Excelente filme para se pensar no amor que não se viveu (ainda). Imbatível no quesito do possível, do quem sabe um dia...
Ficaram esperanças e expectativas...

Acontece que hoje me ocorreu um pensamento: como seriam os relacionamentos se não tivéssemos alguns sentidos, como a visão por exemplo? E me peguei pensando o quanto ela pode ser ilusória - ao mesmo tempo que nos ilude, também pode acabar com as nossas mais doces ilusões; o quanto ela pode ser segregadora, pois nos mostra o diferente, ou o que julgamos ser: outra cor, outra crença, a idade, o tamanho, a beleza, a feiura; percepções que muitas vezes nos distanciam uns dos outros, criam muros, barreiras, que não haveriam se apenas tivéssemos a audição, o tato, o olfato a nosso dispor.
Se eu não pudesse te ver, mas apenas te ouvir, apenas conversar com você, sentir seu cheiro, seu calor, talvez as coisas fossem diferentes, mais fáceis. Quantos anos você me daria se não pudesse me ver? Apenas me ouvir e me tocar? Será que a sua percepção seria alterada?

E agora eu me pergunto: o que realmente importa? O que vemos ou o que sentimos? Será que o que a minha retina grava e percebe é o que realmente há? Duvido muito... porque sei que o que eu sinto é atemporal, não tem idade nem identidade, apenas uma voz, uma forma e um cheiro - marcante e inesquecível, que eu reconheceria mesmo no escuro, pois te vejo com os olhos da alma, que já te conheciam, eu bem suspeito disso... e eu já sentia saudades suas, antes mesmo de te conhecer...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O amor... esse caleidoscópio que me embaraça a visão

Ah, o amor...
Tanto já foi dito... tantos já explicaram, ou pelo menos tentaram definir este que para mim é indefinível... este sentimento que nos "caleidoscopiza" a visão, e faz com que vejamos estrelas onde não há... e brilhos e luzes aonde até então nada havia...

O amor me atingiu em cheio, bem na cabeça, em pleno domingo de sol - ou será que foi na quinta? Já nem sei mais... Só sei que quando dei por mim, lá estava ele, pulando na minha frente, lépido e fagueiro, como um gnomo numa floresta coberta de flores em plena primavera, acenando pra mim: "-Ei, é com você mesma! =)"
E justo agora, quando eu não estava procurando, justo agora, ele vêm e pousa no meu ombro, assim, como uma borboleta...

Existe uma medida para o amor? Uma regra? A quantas quadras o amor deve morar? E quanto deve medir? Ah, tem que ser forte e terno ao mesmo tempo, para que eu me derreta e me sinta protegida em seus braços... e há que saber me fazer rir, e muito, e eu a ele... e o amor deve ser mais alto que eu, e saber dirigir, e ter coragem e humildade, e ser verdadeiro e ser simples...
Mas e as convenções? Como ficam? E se não for bem assim?? E se houver um abismo entre o amor? Com anos-luz nos separando?? Como fica??
E quando a gente encontra alguém assim, que tem aquele jeito de nos fazer rir, que nos fazer querer ser criança de novo, e nos desperta o que há de melhor escondido sob os véus do politicamente correto? Mas existe tudo isso? O que se faz, por favor?

Porque acho que antes da gente se apaixonar, devia haver um questionário assim, aonde a gente pudesse ler tudo do outro, e saber a idade, a altura, a coragem ou o abismo, pra daí decidir se pula ou não.
Mas não é assim que acontece...

E eu quase pulei...

Estou segurando na borda, com uma mão apenas...

sábado, 21 de novembro de 2009

Reminiscências de uma vida que passou...

Sábado à noite, pé torcido... tempo de sobra pra pensar...

E eis que me vêm à mente reminiscências de um tempo em que vivi a seu lado...
quando haviam janelas, grandes e sempre abertas, emoldurando a paisagem sempre tão linda e calma e tranquila, quão linda, calma e tranquila foi a vida com você...
saudades de uma vida cuja lembrança me vêm tênue, sutil e remota...
outras vidas, outro país, paisagens outras também...
tudo mudou... mas o amor que sentimos um pelo outro, e a felicidade que vivenciamos... estes permanecem vivos, presentes... atravessaram o tempo, venceram a morte e o infinito e hoje estão aqui comigo, como um bálsamo, um alento para o meu coração.
E num déjà vu premeditado, de saudades tão sentidas, apenas rezo para que você se lembre também... que chegue logo a hora, e que o tempo passe depressa para que possamos estar juntos, novamente, como já foi um dia.

E como já cantou Frejat em 'Amor meu grande amor', canto agora pra você:

"Amor, meu grande amor, não chegue na hora marcada
Assim como as canções, como as paixões e as palavras
Me veja nos seus olhos na minha cara lavada
Me sinta sem saber se sou fogo ou se sou água
Amor, meu grande amor, me chegue assim bem de repente
Sem nome ou sobrenome, sem sentir o que não sente

Amor, meu grande amor, só dure o tempo que mereça
E quando me quiser que seja de qualquer maneira
Enquanto me tiver que eu seja a última e a primeira
E quando eu te encontrar, meu grande amor, me reconheça

Que tudo o que ofereço é meu calor, meu endereço
A vida do teu filho desde o fim até o começo."


"E quando eu te encontrar, meu grande amor, por favor, me reconheça..."

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Prá começar...

No início tudo eram trevas, então fez-se a luz!!!
E que seja a do sol, ou de uma fogueira à luz do luar...
Ando repensando muitas coisas na vida... acho que com o tempo, vou ficando mais nova, remoçando, como diria o Chico (o Buarque)... nada com não aceitar a idade que se tem, não é isso... mas é que tenho me cercado de pessoas mais jovens, e isso contagia a gente! Acho que por osmose, ou qualquer outro processo químico-fisiológico-psicossomático-espiritual, ou seja lá o que for, estou voltando no tempo... e o que é melhor, com a experiência que só os anos proporcionam...
Agora me sinto mais apta a fazer escolhas, quaisquer que sejam.
Sinto que estou preparada para escolher - agora, o que é melhor pra mim, sem ser egoísta ou egocentrista ou qualquer outro 'ista' desses, mas no sentido de me permitir ter a meu lado o que ou quem me faz bem. Demorei muito pra chegar nesse estágio... passei por muitas galhadas e enroscos nas curvas desse rio de minha vida... mas sinto que, finalmente, a curva se aproxima de seu fim... sinto que águas tranquilas vêm por aí, e fala sério, eu bem que mereço!!
Quero que minha vida flua, daqui por diante, como as águas de um rio, calmas, plácidas e transparentes (transparência acima de tudo) e de preferência, em boa companhia.
Quero sentar às margens do rio, colocar os pés na água, cantarolando canções que traduzam o que trago no coração, e nas noites de lua cheia, deitar na rede e deixar a brisa mansa embalar minha vida...
Encerro com um poema de Cora Coralina, que tenho minhas dúvidas, mas acho que foi feitim pra mim... =)

Aninha e suas pedras

Não te deixes destruir…
Ajuntando novas pedras
e construindo novos poemas.
Recria tua vida, sempre, sempre.
Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recomeça.
Faz de tua vida mesquinha
um poema.
E viverás no coração dos jovens
e na memória das gerações que hão de vir.
Esta fonte é para uso de todos os sedentos.
Toma a tua parte.
Vem a estas páginas
e não entraves seu uso
aos que têm sede.

Cora Coralina